LA LA LAND

                    É muita ousadia para um leigo comentar sobre um filme com quatorze indicações ao Oscar. Contudo, tenho a minha impressão e a deixo a seguir.

                        O plano-sequência inicial impressiona, apesar de haver, no cinema, outros tão bons quanto. No caso de La La Land, impressiona, mas gerou em mim a expectativa de que o filme iria seguir naquele mesmo padrão. Não sei se seguiu, mas acho que não.

                        Fábio Luis Rockenbach cita 24 planos-sequência “de tirar o fôlego” que podem ser vistos em (mas, por favor, não vá pra lá ainda não, termine de ler aqui antes) https://revistamoviement.net/24-planos-sequencia-de-tirar-o-folego-edb70884c844#.l2ca8xwh5.

                        Tirando o fato de eu ter olhado algumas vezes pro meu relógio e ter torcido pra o filme acabar, isso do meio para o fim, achei que o filme é bom, mas poderia ser mais curto.

                        Trata-se de um dos grandes musicais de Hollywood. No entanto, pareceu-me ter um "q" de filme B. Lembrei-me as comédias românticas com seus clichês: amor à primeira vista, destino, estrelas e sonhos. Pra estragar o filme, faltou uma correria final ao aeroporto ao estilo novelesco do final de Dio Come Ti Amo e de muitos outros que vieram depois. Também faltou uma inscrição final: "dois anos depois" e uma criança correndo num quintal, observado por pais sorridentes. (UFA! Por um instante cheguei a pensar que o diretor, que também é o roteirista, havia colocado o roteiro a perder, até perceber que tudo se tratava apenas da imaginação da protagonista).

                        Outra coisa que me pareceu clichê é a protagonista caminhar só por ruas desertas altas horas da noite. Faltou andar descalça, mancando e segurando os sapatos. América segura.

                        Houve também um instante em que pensei que o filme fosse acabar em um grande “réveillon”, todos dançando e cantando, numa grande comemoração, o que também me parece ser um clichê. Quando isso acontece, tenho a impressão de que os atores e a equipe comemoram o fim dos trabalhos de produção. Depois entendi que se tratava de imaginação da protagonista.

                        Não fosse a falta de uma resolução final água com açúcar (o final lembrou-me Shakespeare Apaixonado e Romeu e Julieta e sua paixão impossível, o que deixa o filme sem uma catarse final e pode gerar frustração), poucos dos clichês dos filminhos românticos, daqueles que até há um tempo podiam ser encontrados nas antigas locadoras de VHS e DVD, teriam ficado de fora.

                        Algumas coisas não são novas, como, por exemplo, a câmera entrando pela boca de um trompete (num contexto diferente, Murnau já havia feito isso em A Última Gargalhada, em 1924, filme mudo de uma hora e vinte sete minutos, tão bom quanto ou até melhor que La La Land), contemplações em espelho (três vezes), show de sombras projetadas (duas vezes, que na verdade não são projetadas, mas é como se fossem) que lembram Sombras, de Arthur Robison. (Sombras projetadas são uma herança do teatro de sombras chinês, coisa muitíssimo antiga).

                        Achei que o flashback foi usado com maestria. Quando não é bem utilizado, esse recurso empobrece o filme e é melhor mostrar o passado de outra forma. Só achei que ele poderia ter sido ainda mais discreto. Além disso, ficou meio estranho a protagonista lembrar-se de um rapaz que havia visto uma única vez em uma buzinada durante um engarrafamento. Faz parte do clichê “amor à primeira vista” já comentado.

                        Gostei das interpretações. Não é fácil chorar no cinema, não a seco. No teatro, o ator constrói as emoções em uma hora e meia de representação descontinuada. No cinema não é assim. Não é fácil ouvir a palavra “ação” e chorar do nada. Se não for um excelente ator com seus truques internos ou um bom preparador de atores não fica bom. A córnea tem que mudar de cor, tem que passar de branca a vermelha, senão não convence. E nada pior no cinema que algo que não convence. Não dá pra parecer, tem que ser mesmo não sendo.

                        Quanto ao som, gosto de como ele age no inconsciente do espectador. Chamaram-me atenção as notas rápidas ao piano, seguidas de um silêncio ensurdecedor, durante a cena do jantar romântico em casa. A música concorre com os diálogos em crescente tensão e causa aflição, angústia própria de discussões daquele tipo. O silêncio entra na hora certa, quando o casal se cala subitamente. Pareceu-me que também a luz das velas cintilante contribuiu para aumentar a tensão, da mesma forma que a comida queimada ser retirada do forno, enchendo a cozinha de fumaça após a saída da protagonista. De fato, uma narrativa perfeita.

                        Gostei do solo que fez Emma Stone. Emocionei-me de fato. Só não consegui chorar, mas quase arrepiei. Também gostei da música tema, apesar de que utilizá-la pra trazer aos personagens lembranças do passado é algo meio batido e parece coisa de novela. Seria melhor tê-la usado de forma mais subjetiva, de forma a gerar no espectador sentimentos mais inconscientes.

                        Será que o roteirista leu algum dos livros "As Quatro Estações do Amor"?

                        Algo que não acontece jamais é alguém invadir um set de filmagem, seja ele locação ou estúdio. Nunca. Não em filmes profissionais. O meio cinematográfico é quase que impenetrável e os sets não são acessados senão por pessoas diretamente envolvidas na filmagem. Quem assistiu ao filme sabe do que estou falando.

                        Pra apreciá-lo melhor e perceber outros detalhes seria necessário vê-lo de novo. É, sem dúvida, um grande filme.

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A Cura para a Insônia (1987) foi um dos mais longos filmes da história do cinema, com 85 horas de duração. Depois dele, foram lançados outros cinco mais longos, entre os quais está The Times Forever (2011) com 240 horas, ou seja, dez dias.

Está previsto para 2020 o lançamento de Ambiancé, com incríveis 720 horas (30 dias). Penso que seu maior desafio será prender a atenção do espectador por tanto tempo ininterruptamente.

Quem quiser assistir a ele terá que fazê-lo sem demora, assim que for lançado. É que o diretor promete destruí-lo logo após o lançamento.